Na rua, pet pode ser fonte de doenças

A conta pelo crescente índice de abandono e maus-tratos sofridos pelos animais de estimação tem sido paga pelos próprios agentes causadores do sofrimento, ou seja, o ser humano. É o efeito bumerangue.
abandonadoA posse irresponsável, sem planejamento, que resulta no descarte dos animais logo nas primeiras dificuldades que a família tem com os bichos reverte em prejuízos para a comunidade. Na rua, os animais passam fome, quando comem, comem mal. Ficam expostos à variação do tempo e sofrem com o frio. Tudo isso, reduz a imunidade do animal, que o deixa vulnerável às doenças.

Uma vez infectado, ele se transforma numa fonte de doenças, como, por exemplo, a leishmaniose, a raiva e a leptospirose. Todas transmissíveis e que podem afetar o homem. Ao contrário do que muitos imaginam, a leptospirose não é provocada apenas pela urina do rato. A doença é transmitida por várias espécies animais, como caninos, suínos, bovinos e outras, além dos roedores.

Animais sem cuidados estão sujeitos também à erliquiose, também conhecida como a doença do carrapato. Os casos em humanos vêm aumentando muito em países como os Estados Unidos. No Brasil, a doença ainda é pouco diagnosticada em humanos. Mas o risco existe.

Além disso, animais soltos estão sujeitos a atropelamentos, que podem resultar em grandes prejuízos para os proprietários de veículos. Em alguns casos, chegam a custar não apenas a vida do animal, mas também de pessoas.

Outros efeitos diretos dos maus-tratos e abandonos é que os animais ficam traumatizados e medrosos. Segundo o professor Stelio Pacca Loureiro Luna, da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, é por isso que os cães de rua, muitas vezes, são arredios e têm dificuldades de contato. “Eles estão sempre desconfiados”, diz.

Considerando a alta capacidade reprodutiva dos animais, especialmente dos gatos, quando soltos, o problema se agrava a cada novo animal abandonado e a cada nova ninhada que surge.

Segundo a veterinária Ana Lúcia Geraldi, o cio canino ocorre a cada seis meses, aproximadamente. Isso significa que, em sete anos de vida, uma cadela pode ter até 67 mil descendentes. Quando se trata dos felinos, os números são ainda maiores porque a gata entra no cio com mais frequência.

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O professor Stelio afirma que o abandono de equinos tem sido um problema tão grave quanto o de cão e gato. Ou até mais. Ele lembra que, por ter uma sociabilidade maior com o ser humano, os cães e os gatos se viram. Sempre tem um açougueiro ou alguém da comunidade que oferecem comida e ajuda.

Com os equinos, o relacionamento não é tão próximo. Por isso, os efeitos são mais drásticos. Para eles, não basta um prato de comida ou um pedaço de carne. Para saciar a fome de um animal com o porte de um cavalo é preciso muito mais que isso.

O abandono de equinos tem uma agravante, também gerada pelo porte físico, que é o risco de provocar graves acidentes quando invadem rodovias movimentadas. Os danos são sempre maiores.

De acordo com o professor, mesmo que não ocorra o abandono, a falta das condições mínimas de sobrevivência pode motivar a “fuga” de um equino. Na busca por saciar a fome, por exemplo, eles aproveitam que estão soltos para procurar capim ou outro alimento.

“Nem é por maldade (do proprietário), mas por falta de poder aquisitivo, eles não conseguem atender as necessidades básicas do animal, porque sustentar um cavalo não é fácil”, afirma Stelio.