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O bravo Orácio passou por uma nada comum. Após ter o dilacerado por mordidas de um , a ave contou com a ajuda da Luciana Fernandes de Oliveira, especialista em animais silvestres, que confeccionou e colocou uma em Orácio.

Luciana conta que durante quatro anos o tucano provocava o cachorro pela grade de seu viveiro – eles moram na mesma casa. “A minha cliente, Paola Daré, dona dos animais, conta que era comum o Orácio tentar brigar com o cachorro. Até que o canino se enfezou e resolveu pegá-lo”, conta a veterinária.

No do cachorro, a ave ficou com a parte superior do bico totalmente destruída – segundo Luciana, restaram menos de cinco centímetros. No primeiro momento, a veterinária cuidou da prevenção de infecção, com curativos e antibióticos.

“Quando viu o caso, meu marido, que tem um laboratório de prótese dentária e me ajuda na reconstrução de casco de tartaruga, me desafiou a fazer um novo bico. Foi um desafio grande porque o cachorro simplesmente acabou com o bico do Orácio. Conseqüentemente, não tinha molde”, explica. “Quebramos a cabeça e contei com a ajuda de um amigo que mora em São Paulo e fez doutorado sobre bico de tucano. Ele nos direcionou sobre como fazer a prótese, inclusive indicou materiais que já tinha testado”, acrescenta Luciana.

O de pesquisa e desenvolvimento do bico durou quase um mês. Neste período, o tucano teve que aprender a comer uma papa composta por frutas e ração, que era dada pela veterinária direto na boca da ave. Orácio, que mesmo sem a parte superior do bico tentava bicar a veterinária e todos que se aproximavam, demorou quase 15 dias para se acostumar com este tipo de alimentação.

“Apesar de ser um tucano de cativeiro, ele não tem contato com as pessoas, ninguém manipula ele”, conta a médica veterinária. “Nestes dias tínhamos que ficar praticamente 24 horas em cima dele, pois o tucano é uma ave com metabolismo rápido. Não pode ficar muito tempo sem comida”, complementa.

Após a colocação da prótese, que ocorreu no sábado passado, Orácio teve que fazer o processo inverso: reaprender a comer normalmente. Os tucanos não mastigam os alimentos, eles usam a ponta do bico para pegar a comida, jogá-la para cima e ingeri-la.

O grande desafio da veterinária e de seu marido foi construir uma prótese leve, pois o bico do tucano pesa apenas 25 gramas. Na primeira tentativa, a equipe confeccionou um bico de 40 gramas. Na segunda tentativa, a prótese ficou com 34 gramas. O bico foi confeccionado com resina odontológica e a coloração foi feita por meio da mistura de diferentes tons de anilha. Todo o processo durou dois dias.

“Não chegamos a 25 gramas porque a resina não é o mesmo material do bico original da ave. Além disso, não podíamos deixar muito fino para não correr o risco de quebrar”, explica Luciana.

Orácio já reaprendeu a comer e teve alta da clínica veterinária. Ele é uma ave que vive em cativeiro legalizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (), possui anilha e nota fiscal. “Sempre participo de congressos e não conheço ninguém que tenha feito esse trabalho, sem ser um médico veterinário de São Paulo”, finaliza Luciana.

Encontrei este sensacional caso no jcnet e agradeço a Deus por ter gente obstinada a fazer o bem!

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4 Comments

  1. milton
    27/04/2011 at 20:59 —

    mas a onde nós achamos tucanos???

  2. 24/12/2009 at 12:52 —

    os tucanos parecem até meu irmão

  3. Xará, tem um programa no animal planet “Dog Town”, que eles resgatam animais e tem verbas ilimitadas para recuperá-los, coisa de país civilizado, e em um dos casos, eles recuperarm o bico de um pelicano, se não me falhe a memória.

    Eu partilho do pensamento deles, nenhum caso é perdido e todos os animais são dignos e mrecedores de ajuda.

    É muito bom saber que cada vez mais, existem pessoas assim no mundo!

  4. 09/04/2009 at 06:45 —

    Gosto muito de história de solidariedade entre homens e animais… gosto muito dos seus posts.