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Quanto mais conheço o ser humano, mais me espanta a sua em aos seres vivos. Quanto mais avançamos na tecnologia, parece que mais nos distanciamos da capacidade de humanizar os nossos atos diários. Há dias fui chamada por uma amiga para ajudar no de um cão . O animal conseguiu se arrastar até uma praça perto do Olímpico e deitou no chão: assustado, com dor, agonizante. O carro que o atropelou seguiu seu trajeto sem titubear, afinal, “era só um vira-lata”. Na cabeça dessas pessoas (in)civilizadas e de mente ignorante, animais certamente não sentem dor, frio, medo, solidão. Ainda que sintam, são irracionais e não podem acusá-los formalmente.

Se não fosse minha amiga – e – estar logo atrás do carro do atropelador, aquele ser teria ficado estendido no chão de uma praça, agonizando, solitário. Enquanto isso, seu algoz foi para casa, deitou a cabeça no travesseiro e dormiu o sono “dos justos”. Na clínica, o cão chegou em choque tamanha dor que lhe foi causada. A vida já não estava sendo fácil para ele. Uma bicheira enorme havia tomado conta do seu ouvido esquerdo. O coração começou a bater fraquinho, as gengivas esbranquiçaram, o ar começou a lhe faltar. Não havia outra escolha, senão a interrupção da dor. Dar uma morte digna – com o menor sofrimento possível – foi a alternativa encontrada. Deitado sobre a mesa da clínica, aquele corpo tomado por pulgas e carrapatos começava aos poucos a encontrar um pouco de paz. O brilho dos olhos foi se perdendo, até que ficaram vagos e as patas gelaram.

Não havia mais o que fazer. Ficamos ali acariciando a sua cabeça para que de alguma forma soubesse que não estava sozinho. Acho que ninguém gosta de enfrentar a morte na mais completa solidão. Nenhum ser merece passar por tamanha indiferença. Saí de lá me perguntando quando foi que fomos rotulados de “racionais”. Onde está a racionalidade de um motorista que atropela um animal e não para a fim de lhe prestar socorro? Certamente são esses “seres racionais”, dotados de um DNA “diferenciado”, aqueles também capazes (por que não?) de atear fogo em mendigos, partindo do mesmo princípio que a dor que lhes atinge não é a mesma que ele sente. Talvez eles se achem superiores, infelizmente, não passam de uma espécie covarde e desprezível.

Autor: Elaine Carrasco
Fonte: Jornal do Comércio
Crueldade contra animais, uma covardia racional foi modificado pela última vez: setembro 4th, 2013 por Alexandre Domingues
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  • suely bischoff machado de oliv

    Olá.Boa tarde.É isso aí,a tecnologia avança na mesma proporção da falta de dignidade no bípede humano.Sinto muito por este pobrezinho ser atropelado,mas pelo menos dormiu para sempre num lugar e com pessoas dignas, e não só na rua.Parabéns a quem o resgatou. Quem o resgatou muito provavelmente sentiu e compartilhou sua dor física e psicológica.Estas pessoas tão indignas que atropelam,passam por cima,ignoram,etc, são como os psicopatas, não têm empatia.Assim como atropelou e não atendeu ao cão,também se fôsse um morador de rua faria a mesma coisa.Tem pessoas que percebo, não gostam de animais, mas têm um animal de raça,só para exibir status(é claro que status na cabeça deste ser inferior!)Quanto mais eu vivo, mas opto pela companhia dos animais.