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Os casos de maus-tratos a animais sempre existiram, mas nem sempre repercutiram com tanta intensidade na imprensa e na própria sociedade. No entanto, em tempos de crescente acesso à informação, em especial com a difusão da Internet, são cada vez mais comuns os relatos espalhados pela rede de computadores e que, em alguns casos, tomam proporções também fora do mundo virtual.

Aproveitando as facilidades do mundo online, o movimento nacional “ Nunca Mais” ganhou força e realizará, no próximo domingo, em mais de 100 cidades de todo o país uma para pedir leis mais severas e que punam quem comete contra animais. “Além da , vamos organizar realizar um abaixo-assinado de abrangência nacional com objetivo de coletar 1 milhão e meio de assinaturas. Essa será a primeira ação prática em dos animais”, explica a auxiliar de enfermagem Patrícia Helena Hinke Beneditti, uma das organizadoras do movimento em .

Na cidade, a mobilização está marcada para as 10h, em frente à concha acústica do Parque Vitória Régia. “A perspectiva é muito positiva. Desde que me interessei pela campanha, entrei no site e comecei a divulgar, só cresceu a quantidade de pessoas e ONGs que estão apoiando e que confirmaram presença”, reforça. “Inclusive, pessoas de outras cidades da região onde não foi possível organizar uma manifestação demonstraram o interesse de se juntarem a nós, aqui em Bauru”, comemora Patrícia.

Redes sociais
Além da troca de e-mails, outra importante ferramenta para a organização do movimento foi a divulgação através de redes sociais. Apenas no Facebook, mais de 10 mil pessoas “confirmaram” a presença em alguma das localidades onde a manifestação será realizada e outras 1.400 deixaram em aberto a possibilidade de participarem do movimento.

“A Internet foi o veículo onde o movimento começou e se espalhou. Vamos lutar para defender cães, gatos e outros bichos que sofrem agressões. Queremos, com a manifestação e com a o abaixo-assinado direcionar a atenção das pessoas e dos políticos para este tema tão importante”, finaliza Patrícia.

Serviço
A manifestação “Crueldade Nunca Mais” será realizada no próximo domingo, às 10h, na concha acústica do Parque Vitória Régia. Todas as reinvindicações estão disponíveis no site http://www.crueldadenuncamais.com.br.

Crimes chocantes
Apenas nos últimos meses, o Jornal da Cidade noticiou diversos episódios de donos que maltrataram seus animais. Em novembro, o mecânico Cláudio César Messias arrastou o cachorro Lobo por algumas quadras, em Piracicaba. Ele alegou à polícia que transportava o animal na caçamba do veículo e que o ocorrido foi um acidente. O cão morreu duas semanas depois.

Em dezembro, dois casos chamaram atenção em São José do Rio Preto. Primeiro um cachorro da raça basset foi encontrado morto dentro do porta-malas de um carro no estacionamento do aeroporto da cidade. Semanas depois, um vira-latas de apenas 50 dias quase foi degolado. A agressão se tornou pública quando uma vizinha chamou a Polícia Militar. Scooby foi levado para o Centro de Controle de Zoonoses, onde foi medicado e levou dez pontos no pescoço.

Ainda no final de 2011, o cachorro Titã, de Novo Horizonte (113 km de Bauru), foi encontrado debilitado. A suspeita inicial era de que tinha ficado enterrado por 12h. Já cadela Laica teve o maxilar quebrado pelo dono, em Tanabi (233 km de Bauru), após morder o aparelho celular dele.

Em um ano, número de queixas à polícia aumentou 211% em Bauru
Em Bauru, de 2010 para 2011 mais do que triplicaram as denúncias feitas à Delegacia Ambiental, sediada no 1.º DP na Vila Falcão. “No ano passado foram mais de 140 denúncias apuradas pela Polícia Civil, contra 45 averiguações em 2010. A implantação de uma área dedicada a este tipo de crimes propiciou o aumentou da procura por parte da população”, explica o delegado titular do 1º. DP, Dinair José da Silva.

Exemplo de cidadão interessado nos cuidados dos animais, o comerciante João Batista de Souza, 35 anos, conta que já procurou diversas vezes a delegacia e que cuida de animais abandonados. “Recentemente, só nas proximidades da minha casa foram três animais que algumas pessoas deixaram trancados nos quintais quase sem condições de sobreviver. Nesses casos, fotografei a situação na qual eles estavam, fui à Delegacia e registrei um boletim de ocorrência para que os casos possam ser averiguados”, explica. “Eu entendo que não adianta terem criado esta delegacia específica se a população não fizera sua parte e também denunciar”, destaca.

O titular da Delegacia Ambiental frisou que todas as denúncias recebidas são checadas e, nos casos necessários, mandados e outros recursos são utilizados para poder confirmar ou não um caso de mau trato ou de omissão, por exemplo. “Nesse caso específico do João, já estamos com as fotos e as informações em mãos e iniciamos as checagens para tomar as medidas cabíveis. É importante ressaltar que as denúncias podem ser registradas em qualquer delegacia, no Plantão da Polícia Civil ou através dos telefones 181 e 197, inclusive de forma anônima”, finaliza.

Autor: Murillo Ferrari
Fonte: Jornal da Cidade
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