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Não haveria local mais propício para a entrevista se não a loja PET , no Parque Monte Líbano, em . É neste ambiente, cercado de animais, casinhas, rações, ossinhos, dentre outros artigos que podem ser encontrados num espaço assim, que Karina Pirillo, da organização não-governamental () Adote Já, se sente bem à vontade.

Antes da conversa, ela atendia um cão, que acabara de resgatar. O prognóstico: ele está com . Cuidadosamente, tirava verme por verme que se encontrava na ferida do pobre bichinho. Depois de medicá-lo, dar água e comida, pudemos, então, começar a nossa conversa. Karina estava aparentemente cansada, vestida para o trabalho. É uma daquelas mulheres de personalidade forte. Há 12 anos atuando na área, ela entende muito do assunto, ainda mais quando se trata de dar assistência a animais abandonados.

É mãe, de Pietra Pirillo, de 11 anos, e esposa do dentista Adolfo Miguel Ribeiro, que foram “trocados” pelos seres de quatro patas, como costuma brincar. A presidente tem um diploma de Direito na parede, mas o de veterinária está no . Decidiu adotar Mogi como a sua cidade ainda na época em que estudava na Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), onde se formou. Prometeu que não vai morrer antes de fundar um hospital veterinário, que oferecerá , e gratuitas à população. O sonho está a caminho de ser realizado. A ONG já foi premiada com o título de Honra ao Mérito pelos trabalhos desenvolvidos no projeto “Integração do Homem Com o Animal”. Até a abertura da clínica, Karina continuará se dedicando à feirinha de de animais, que acontece todos os sábados na sede da entidade.

Mogi News: O seu trabalho é de segunda a segunda. Você, literalmente, vive a ONG Adote Já?
Karina Pirillo: Eu não tenho vida social. A minha filha, Pietra, já está com 11 anos e nunca fomos ao shopping juntas. Trabalho das 7 às 21 horas. No domingo, estou por aqui. Tenho férias de cinco dias uma vez por ano. Amo fazer isso.

MN: De onde vem esse amor pelos animais?
Karina: Não sei! Eu pergunto para Deus: “Não era mais fácil gostar de computadores”? (risos). Desde criança sou assim. Quando eu tinha 5 anos, passava férias em Goiás, em uma casa de veraneio da minha avó. Lá eu me enfiava em todos os buracos para salvar os cachorros, e levava todos para a casa da minha avó. Quando eu ia embora, ela ficava com mais de dez cães para cuidar.

MN: Quando você decidiu profissionalizar esta vocação?
Karina: Quando fiz 14 anos, eu já procurei fazer cursos de banho e tosa. Eu recolhia vira-latas, tratava deles e levava ao veterinário. Eu só não tinha esta consciência de , até porque não se via tantos animais assim na rua, como ocorre hoje. Depois, quando vim para Mogi cursar Direito, na UMC, abri um PET. E aí passei a recolher os animais na rua e trazê-los para a sede. O trabalho cresceu muito. Na época, eu recolhia 5 animais. Hoje recolho e faço a doação de 120, por mês. Estes cães são recolhidos, tratados, vermifugados e vacinados. E se tiver mais de 5 meses eles só são doados castrados.

MN: Então o objetivo da loja era só resgatar animais, não tinha apelo comercial?
Karina: Nunca tive esse apelo. Só mantenho a loja para vender produtos e usá-los com os próprios animais que resgato. Sou contra comercializar animais. Para mim, é como voltar a comercializar os negros. Vida não se vende.

MN: Você acha que isso ajuda a fomentar a discriminação e aumentar a população animal abandonada nas ruas?
Karina: Com certeza! Eu visito canis que cuidam de animais só para a procriação e venda. Eles exploram as cadelas até os 10 anos, depois descartam. Aqui em Mogi, não tem nenhum criadouro que dá estrutura e cuidado necessário para o cachorro que já deu muitos filhotes e ajudou o dono a ganhar dinheiro.

MN: Quando você fundou a ONG, quais foram as principais dificuldades que encontrou?
Karina: Na verdade, os mesmos problemas que encontro até hoje. Para muitos, resgatar animais é sinônimo de ganhar dinheiro. Formalizei a ONG há cinco anos, mas eu nem queria. Porque eu, como protetora dos animais independente, faço um trabalho aqui só como casa transitória. Eu só vou fazer o resgate de um animal quando eu tenho dinheiro no bolso e vaga para cuidar dele até que ele seja doado. As ONG´s que visito, uma delas em Avaré, interior de São Paulo, que é o abrigo referência, têm 400 animais e eles doam só 5, por mês.

MN: Qual a dificuldade que você encontra em relação aos trabalhos desenvolvidos pelo poder público?
Karina: Eu tive uma reunião com o prefeito Marco Aurélio Bertaiolli (DEM) sobre a situação na cidade. No Centro de Controle de Zoonoses (), o processo de castração de um animal dura até 8 meses, até lá o seu cachorro já pode ter procriado. O prefeito disse que nem sabia que a Zoonoses demorava tanto. E ele também não sabia que, quando ligam lá pedindo resgate de um animal, ele é encaminhado para a ONG Adote Já. Além disso, tem uma lei que proíbe a eutanásia em cães sadios. Com isso, o deixou de recolher animais das ruas. Eles não querem colocar a mão na massa, porque teriam de recolher, tratar e doar estes cães saudáveis. O possui cinco veterinários e um canil grande. Eu, com 3 canis de filhotes e 2 de adulto, faço doação de 120 animais. Imagina o que daria para fazer com esta estrutura? Eu recebo 80 ligações por dia de resgate. Não tenho condições financeiras para atender todos.

MN: Então é um problema grave que vai ganhar maiores proporções se nada for feito?
Karina: Os animais soltos na rua vão ser atropelados, vão pegar doença e a dificuldade será ainda maior. O correto é ter vontade política, não adianta só castrá-los, tem de haver um trabalho de conscientização da população de posse responsável.

MN: Quais as campanhas feitas pela ONG?
Karina: Em parceria com uma clínica veterinária, fazíamos castração de cães por R$ 110 e gatos por R$ 70. Quando abrirmos a Clínica ONG Adote Já vamos fazer um preço ainda mais barato, porque vou conseguir recursos estaduais e federais para manter os custos. Estamos ampliando o trabalho para outras cidades da região. Temos a sub-sede em Poá e tenho recebido um apoio muito grande da vereadora Jeruza Reis.

MN: Qual é o seu sonho?
Karina: Não vou morrer antes de abrir um hospital público veterinário. Vou começar com a clínica, mas o objetivo é ter um hospital onde os animais receberão cuidados médicos gratuitos ou por preços mínimos. As consultas, vacinas e cirurgias serão mais baratas. Uma cirurgia biométrica, por exemplo, custa cerca de R$ 30, mas os veterinários cobram R$ 1 mil.

Fonte: Mogi News
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