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Alegres, inteligentes, companheiros e, acima de tudo, dotados de uma que nós, humanos, ainda não fomos capazes de desenvolver: dispostos a amar incondicionalmente a qualquer um, independente da aparência física, estado psicológico ou humor. Os cachorros são assim mesmo – vão chegando e distribuindo afeto ao menor sinal de interação. E é com base neste que a Assistida por Cães auxilia na de diversos públicos, como crianças internadas, com distúrbios psicológicos ou cognitivos, em asilos e dependentes químicos em .

O diretor técnico da TAC (Terapia Assistida por Cães), Vinicius Ribeiro, explica que a técnica é muito difundida em outros países, especialmente nos e , em países como , , e . No , ele observa que o trabalho vem crescendo, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. Vinicius afirma também que o cão é o animal mais utilizado para este tipo de trabalho por ser mais adaptável. “Ele é o animal mais próximo do ser humano, é fácil de adestrar e transportar. Ele entra como motivador para as praticas terapêuticas”, afirma.

O profissional reforça que já existem estudos que comprovam benefícios fisiológicos no ser humano quando em contato com os animais. Na TAC, os bichinhos atuam com uma equipe multidisciplinar, com fisioterapeutas, psicólogos, adestradores e outros profissionais, com o objetivo de trabalhar as relações afetivas entre paciente e animal, visando a melhoria do bem-estar. Entenda um pouco mais do trabalho e os benefícios para alguns tipos de público.

Crianças
Vinicius conta que o trabalho na TAC com crianças pode ser feito de duas formas – ou como visitas, ou como parte de uma terapia. O ato de brincar com os animais facilita o desenvolvimento de questões psicológicas e a estimulação cognitiva. “Ele é o motivador, vai transformar uma sessão em algo mais lúdico, quebrando o gelo entre o paciente e o terapeuta”, explica.

Ele ressalta que no caso das crianças internadas, o grande benefício é a quebra do ambiente frio, hospitalar e pouco acolhedor. “As crianças com câncer podem melhorar a imunidade, e as questões emocionais; as cardíacas, acabam tendo uma redução da pressão arterial; crianças com distúrbios psiquiátricos têm uma aproximação ao nosso mundo real e melhoras do quadro de depressão; as autistas melhoram a sociabilização, a partir da interação com os cães”, analisa.

Tatiane Ichitani, coordenadora do Projeto Cão Terapeuta da ONG Cão Cidadão, também vê na prática a melhora de crianças em situação de vulnerabilidade social, que na maioria das vezes desenvolvem problemas psicológicos decorrentes de traumas experienciados nos primeiros anos de vida. “O foco principal é trabalhar a inclusão. O maior papel do cachorro é o vínculo que se cria, porque é muito difícil ter uma criança que não goste de bicho e os cães gostam da pessoa independente do que ela é.”

Ela relembra a história de uma criança que, por ter um grave problema de descamação na pele, se tornou tímida e não conversava com ninguém. “Quando ele cumprimentava as pessoas, não olhava na cara. Até que ele percebeu que o cachorro lambia a cara dele mesmo assim. Três ou quatro visitas depois, começamos a ser recebidas por ele com abraço e beijo”, ressaltou, acrescentando que o tratamento auxilia também na recuperação da autoestima.

Idosos
Muitos dos idosos que são institucionalizados têm muitas perdas de uma só vez, como a capacidade física, cognitiva, de amigos da mesma idade e da sociedade, conforme observa Vinicius. “Com essas perdas, eles têm um isolamento afetivo. Afinal, ‘para que vou me ligar emocionalmente à pessoa que esta do meu lado se ela pode falecer?’. O cachorro consegue trazer um ganho afetivo sem nenhuma perda”, observa.

Com isso, o benefício mais visível é a motivação. “Por meio desse afeto conseguimos fazer intervenções terapêuticas como fisioterapia, a pedagogia para trabalhar a memória, e a psicologia para lidar com a questão das perdas. O cachorro resgata a motivação de viver”, pontua.

Tatiane concorda que os ganhos para a faixa etária da melhor idade são muitos. “Eles decoram os nomes de todos os animais e sentem falta quando algum não vem. Até o relacionamento deles melhora, quem nunca conversava acaba interagindo por causa do cachorro”, conta.

Dependentes químicos em recuperação
Na TAC, o Projeto Reintegração foi pensado para a recuperação de dependentes químicos a partir da educação de cães. Tudo começa no abrigo da cidade de Cruzeiro, onde fica a clínica parceira. Alguns cachorros são selecionados e os próprios dependentes químicos participam do adestramento. “Com isso, eles trabalham questões como empatia, paciência, reforço positivo, expressão corporal, coisas que perderam por causa da droga. Ele vai voltar a trabalhar estes valores e reaprender essas habilidades sociais”, pontua.

Os cachorrinhos também são beneficiados, pois depois de treinados são colocados para adoção e reintegrados na sociedade – com isso, o valor social e a cidadania também são trabalhados com a pessoa que pretende abandonar as drogas. “Hoje, o cachorro de rua é um problema social e de saúde pública. Ele também foi colocado à margem da sociedade, privado da sua liberdade, assim como o dependente químico. Acaba acontecendo uma uma identificação e ambos vão conseguir se reintegrar”, conclui.

Pré-requisitos
De acordo com os entrevistados, não existem raças mais propensas ao trabalho de cão terapeuta, no entanto, todos precisam preencher alguns pré-requisitos. Tatiana explica que o ideal é que sejam adultos, castrados, dóceis e sociáveis. Vinicius lembra também que além de uma pré-avaliação para análise comportamental, eles passam por um treinamento para não agir agressivamente em hipótese nenhuma e não ter nenhum tipo de medo excessivo, pois isso aumentaria o estresse do animal.

Na Cão Cidadão, existem cerca de 50 cães terapeutas atuantes. Donos de cachorros interessados em participar podem mandar um e-mail para caoterapeuta@caocidadao.com.br. “O voluntário também participa ativamente dos projetos e de reuniões para entender o público e como se comportar”, enfatiza.

Histórias felizes
Vinicius se lembra de uma história vivenciada em projeto em parceria com o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. “Temos uma criança autista que hoje está bem mais sociável, consegue brincar com as outras crianças, interagir e entender a dinâmica familiar melhor”.

Já no Projeto Reintegração, a história de sucesso é a do comerciante Gastão Cervi Machado, 37, que está internado na Casa Ágape há cerca de três meses para se livrar do vício do crack. Ele conta que quando a cadelinha Ester chegou à instituição, alguns profissionais disseram que ela não tinha o perfil para cão terapeuta. “Só que eu já tinha criado um vínculo com ela em apenas dez minutos de conversa. Senti que estava acontecendo com ela o que aconteceu comigo várias vezes, pessoas me dizendo que eu não era capaz”.

Hoje, ele acredita que a amizade com a cachorrinha e o trabalho de educação que está ajudando a desenvolver são a válvula de escape para a reinserção na sociedade, para ambos. “Ela também está lutando para voltar para a sociedade. O que procuramos na droga é o prazer, que hoje, consigo encontrar através dos animais”, comemora.

Autor: Danielle Barg
Fonte: Terra
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