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Não os chame de “cães de guarda”. Quando o custo de um deles é de R$ 370 mil, como foi o da cadela Julia, o termo preferido é “cão de executiva”. Esta de três anos, que viaja de jato particular entre uma propriedade em Minnesota e sua casa no Arizona, ambos nos Estados Unidos, combina pedigree elogiado, mansidão com crianças e, na hora certa, ferocidade destruidora de braços. Julia e os outros de sua classe têm as mesmas habilidades de rastreamento e que os cães usados em unidades militares americanas de elite, como os Seals, que levaram um cachorro na operação que tomou o esconderijo de Osama Bin Laden no mês passado. Aliás, Julia foi vendida por um , Harrison Prather, que costumava fornecer cães para os Seals e as forças especiais britânicas. Mas resolveu mudar para um mais lucrativo.

“Ou os ricos me descobriram, ou eu os descobri – não me lembro o que aconteceu primeiro”, diz Prather, presidente do Harrison K-9 Security Services.

Ele e outros treinadores de alto nível dizem que os preços dispararam recentemente, graças ao crescente número de abastados ao redor do mundo que gostam da – e do status – de um cachorro com as credenciais certas. Figurões e celebridades agora pagam rotineiramente entre R$ 64 mil e R$ 96 mil por um pastor alemão de boa linhagem e diploma em Schutzhund, que significa “cão de proteção”. Mas o preço pode subir muito se o cachorro, além disso, vai bem em competições internacionais, como é o caso de Julia.

Quem pagou a conta
Ela é um ótimo negócio”, diz o dono de Julia, John Johnson, enquanto ela o acompanha por sua propriedade. “Ela ganhou prêmios. Olha para você e tem esse rosto lindo”.

Mas R$ 370 mil?
“É muito dinheiro”, ele concorda. “É pela velocidade dela, a esperteza, a rapidez – e você não acredita como ela pode ser bruta. Quando morde, ela é como um pitbull. Julia tem esse rosto de modelo, mas abre a boca e castiga”.

Johnson diz que comprou seu primeiro cão de proteção depois de receber ameaças pessoais quando dirigia a Northland Group, uma empresa de cobranças que ele fundou em Minnesota e vendeu há três anos. Hoje, ele tem seis cachorros desse tipo, todos da raça pastor alemão, e costuma levar dois no carro sempre que sai.

“É tanto para segurança quanto para companhia”, afirma, enquanto Julia se enrosca em sua perna, parecendo mansa o suficiente para fazer companhia. Mas, quando um intruso apareceu perto da quadra de tênis, bastou um comando para mandar a cadela em disparada atrás dele.

Ela enfiou os dentes no braço do intruso que, neste caso, estava usando uma proteção almofadada para a demonstração, e não largou nem quando ele a levantou do chão tentando livrar-se dela. Ela só o deixou depois de receber uma ordem para isso, e ficou de guarda vigiando seu novo prisioneiro, latindo e ameaçando morder de novo sempre que ele ameaçava escapar, o que sabiamente não tentou. Julia foi de uma ferocidade controlada, que os treinadores distinguem da raiva manifestada por cães comuns. Quando dois cachorros tentam intimidar um ao outro, eles rosnam, mostram os dentes e se encaram. Cães de proteção são treinados a continuar vigiando e protegendo seus donos, e não estabelecendo sua própria dominação. E, quando ordenados, mudam instantaneamente do modo de ataque para o modo de estimação.

“O cachorro tem que se dar bem com crianças”, diz Prather. “O cliente muitas vezes é um homem no segundo casamento. Viaja muito, deixa a mulher sozinha com os filhos em uma casa grande, tão grande que às vezes você nem sabe o que está acontecendo na outra sala. Ele quer ter paz de espírito e um cachorro que a esposa possa controlar”.

O preço de um animal do gênero subiu graças à crescente demanda nos Estados Unidos, América Latina (especialmente México), Oriente Médio e Ásia, dizem Prather e Wayne Curry, dono do Kraftwerk K9.

“Eu já recusei ofertas de mais de R$ 320 mil por um de meus campeões,” diz Curry, que afirma conhecer um cachorro que foi vendido por um valor superior a R$ 640 mil, graças à sua linhagem e potencial de reprodução. (Apesar de as ninhadas de Julia terem potencial para bons preços, seu dono disse que não tinha tempo para cruzá-la e a castrou assim que comprou, em janeiro.)

Para clientes que podem pagar o preço médio de R$ 80 mil por um cão com boas credenciais, há muitas maneiras de racionalizar o valor. “Quando você compara os custos de um guarda-costas em tempo integral com os de um cachorro, o cachorro faz muito mais sentido”, diz Curry. “E o cachorro, ao contrário do guarda-costas, não pode ser subornado.”

Prather diz que um famoso cliente o procurou depois de tentar se livrar de perseguidores contratando guarda-costas. “O perseguidor esfaqueou um dos seguranças, saiu da cadeia e voltou a aparecer”, conta. “Então compraram um cachorro, e nunca mais viram o cara. As pessoas têm um medo inato de animais com dentes afiados. Não queremos estar no cardápio”.

Os cachorros de Prather são treinados por três anos na Alemanha antes de irem para a Carolina do Sul, onde recebem treinamento adicional e são testados para convivência doméstica. Antes de ser vendida, Julia morou por quatro meses na casa de November Holley, vice-presidente e treinador-chefe de companhia.

“Eu provavelmente já treinei mil cachorros, e ela é a melhor que já vi”, afirma Holley said. “É o pacote completo, faz tudo o que você quer, sem questionamentos. Boa com crianças, com cavalos, com gatos. Uma dama perfeita”.

Julia também provou sua eficiência como babá, diz Holley. “Se minha filha Kailee saía parta o bosque, eu dizia ‘Julia, cadê a Kailee?’, e ela saía e a encontrava. Era como uma pessoa”.

Em sua nova casa em Minnesota, Julia tem um treinador em meio-período, Jeremy Norton, que também trabalha como bombeiro. Norton concorda que Julia é uma cadela especial, mas riu amarelo na hora de explicar o custo de R$ 370 mil”.

“O valor está nos olhos de quem vê”, diz. “Essa é a resposta mais política que posso dar. Quer dizer, Julia é ótima, mas isso é metade do valor da minha casa. Não dá para entender”.

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