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Uma iguana, duas chinchilas, duas jiboias, um jacaré-de-papo-amarelo, quatro ou cinco baratas gigantes de Madagascar, um bicho-pau e um filhote, duas corn snakes (cobra do milho), uma coruja, uma aranha-caranguejeira. Bem que poderia ser, mas não se trata de um zoológico. É só parte da casa da avó do biólogo André Costa, 29 anos.

Quem circula pelo bairro Nova Gerty, em São Caetano, nem imagina que, pelo menos, R$ 20 mil em bichos estão em uma das casas da região. Por mês, Costa gasta R$ 500 em comida para toda essa população.

A alimentação varia: larva de besouro, flores, frutas, folhas de goiabeira (e só dessa planta) pedacinhos de carne ou ratos – alguns o biólogo cria para alimentação dos bichos, outros são recolhidos do Instituto Adolfo Lutz. “Como eles só usam as fêmeas para os experimentos, dão os machos, já mortos”, conta. E acrescenta: “Tenho freezer só para isso. Quando volto de lá, chego a estocar 600 ratos congelados”.

Costa usa a casa da avó, que fica a alguns metros da sua, porque há espaço vazio para abrigar os animais.

O primeiro bichinho de Costa, aos 9 anos, foi um lagarto. Atualmente ele usa os animais em atividades infantis de conscientização ambiental. A intenção é acabar com os mitos. “Muita gente ainda mata sapo porque acha que, se o bicho fizer xixi no olho de alguém, a pessoa fica cega. Na verdade, um sapo faz muito mais bem do que mal, porque come as baratas e outros insetos locais”, afirma.

Apesar do amor que sente pelos seus animais, Costa disse que é necessário preparo para lidar com eles. Uma jiboia, por exemplo, quando atinge mais de três metros de comprimento, pode se enrolar na vítima e apertá-la até a morte por asfixia, caso se sinta . Além disso, nenhum desses animais o reconhece em meio a outros humanos ou dá qualquer sinal de afetividade. “Não tem animal melhor para ter do que gato ou cachorro. Eles reconhecem o homem como amigo”, diz.

Ele exemplificou que muitas pessoas ainda compram animais exóticos, como , na empolgação. “Quando se dá conta do gasto e do trabalho que dá, muita gente se decepciona e acaba soltando o bicho na rua”.

Os exóticos citados precisam de do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis para serem criados em cativeiro, como Costa fez questão de observar. Alguns desses animais, como o jacaré-de-papo-amarelo está ameaçado de , mas ainda é criado ilegalmente para confecção de bolsas e sapatos.

Cuidado com silvestres demanda muita dedicação
Além de manejo sanitário adequado, animais exóticos, mesmo que considerados domesticados, exigem cuidados específicos uma vez que não estão em seu habitat.

O veterinário responsável pela área de atendimento aos animais silvestres do Hospital Veterinário da Universidade Metodista, Celso Martins Pinto, afirma a importância de o dono dos bichos, além de ter a documentação expedida pelo órgão competente, ter compromisso com o fornecimento de alimentos adequados.

Outras recomendações são na verificação das épocas de acasalamentos e na providência de ninhos e abrigos adequados nas gaiolas e viveiros, a fim de facilitar o cuidado dos filhotes para os pais. “É necessário tomar cuidados para evitar bicadas, mordidas, arranhões, ou, em caso de fugas, atropelamentos e agressões a terceiros”, explica.

Também é importante notar que nem mesmo animais da mesma espécie podem ficar juntos o tempo todo. “Há necessidade se considerar a territorialidade que muitos indivíduos estabelecem ao seu redor”, reforça.

Para o veterinário, os riscos de se criar animais como esses em casa são os mesmos de animais domésticos sem manejo certo: bichos agressivos ou transmissão de doenças aos donos por falta de .

Bom-senso é fundamental para convivência em
O mais importante para criar um animal em apartamento é ter bom-senso. Exóticos ou domésticos, todos precisam fazer suas necessidades fisiológicas e alguns exalam odores fortes. É necessário ser cuidadoso também com ruídos, que incomodam os vizinhos mais próximos.

No caso de répteis, como cobras e lagartos que costumam causar estranheza, é bom que estejam bem presos e sem perigo de escapar para a área comum. “Já visitei apartamentos cujos donos criavam mais de dez cachorros. Os animais urinavam em locais que não eram impermeabilizados”, conta o engenheiro Flávio Figueiredo, da Daniel & Figueiredo Consultores Associados. “O problema ocasionou um vazamento no apartamento do andar de baixo”, afirma.

Para o especialista, o problema mais grave é permitir que as necessidades fisiológicas saiam dos limites da propriedade do dono do animal. Deixá-lo passear ou urinar em locais comuns do condomínio, como cantos e pilares ou mesmo jardins, nem pensar. “Essas estruturas não foram construídas para esse nível de . A de animal pode acelerar a deterioração, a médio e longo prazos, até mesmo de elementos estruturais do prédio”, explica.

Autor: Camila Brunelli
Fonte: Diário do Grande ABC
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