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O Instituto Brasileiro do e dos Recursos Naturais Renováveis (), vinculado ao Ministério do , apreendeu 24 mil animais em ações de no País contra o de animais em 2013.

Entretanto, os dados podem ser ainda mais alarmantes quando regionalizados. Segundo dados da Militar Ambiental do Estado de , no mesmo ano foram apreendidos 28.097 da fauna silvestre somente no Estado de São Paulo. No primeiro semestre desse ano, já foram quase 14 mil. A região que lidera no volume de apreensões, cerca de 25%, é a Grande São Paulo.

Em 2013, foram apreendidas 5883 aves e 883 animais silvestres em ações da PMA na região, que é seguida do ranking de maior volume de apreensões de animais traficados por Sorocaba e Ribeirão Preto. “Cerca de 90% dos espécimes apreendidos são passeriformes. Isso se dá pelo interesse das pessoas em ter uma ave cantando na gaiola, elas consideram algo normal. Além disso, há a facilidade de se capturar um grande número de exemplares”, afirma o chefe de operações da PMA, Major Marcelo Robis Francisco Nassaro.

“O manejo desses animais é fácil, elas são apreciadas pelo canto e pela beleza, são facilmente vistas durante o dia, algumas espécies possuem inteligência e um comportamento de proximidade com o ser humano, por isso causam tanto interesse. As espécies de aves que mais são procuradas são passeriformes pequenos, belos e de canto potente, como canários-da-terra, azulões, pixarros e cardeais. Os papagaios-verdadeiros, por sua capacidade de imitarem os sons do homem, também são muito traficados”, ressalta a médica veterinária e membro suplente da Comissão Técnica de Médicos Veterinários de Animais Selvagens do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (), Ticiana Zwang.

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O canário-da-terra-verdadeiro, desde 2006, lidera a lista de espécimes mais apreendidos pela PMA. Nesse período, já forma mais de 43 mil exemplares resgatados nas ações contra o tráfico. Vítimas da terceira maior atividade ilegal do mundo, estima-se que nove em cada 10 animais traficados morram antes de chegar ao destino final. “Além do estresse causado pela contenção, eles sofrem com a privação de água e de comida, acúmulo de fezes, sujeira, transporte inadequado, superpopulação, brigas. É algo absurdamente cruel. Ao ser traficado, além da morte, esses animais podem sofrer fraturas e amputações, desenvolver osteodistrofias graves e outras doenças, e ter o comportamento afetado para sempre. Ao fim, as ações constantes dos traficantes podem levar a extinção de populações inteiras de uma região”, diz Ticiana.

O tráfico de animais silvestres é e, de acordo com a de Crimes Ambientais 9605/98, a pena é detenção de seis meses a um ano e . A PMA conduziu 483 pessoas à delegacia por infração contra a fauna em 2013 e já são 216 nesse ano. Além disso, foram mais de R$ 29 milhões em multas no ano passado e quase 15 milhões em 2014.

Rota do tráfico
No Estado de São Paulo a Polícia Rodoviária Federal (PRF) destaca como principais rodovias utilizadas pelo tráfico de animais selvagens, a Fernão Dias, a Presidente Dutra e a Regis Bittencourt, consideradas grandes canais de escoamento. Do Pantanal e Sudoeste do estado, costumam ser feitas grandes apreensões de papagaios, principalmente em época de reprodução, e da região Nordeste e do estado de Minas Gerais, diversos passeriformes.
Levantamento feito pela PRF aponta que o principal destino dos animais traficados seria Rio Grande do Sul e Paraná, no Brasil; Uruguai e Argentina, no mercado internacional.

Entre os veículos utilizados para transporte desses animais, estão carros de passeio, ônibus e caminhões. A intensa campanha contra o tráfico de animais selvagens realizada pelas empresas de ônibus, pela PRF e pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), entretanto, tem ajudado a reduzir o transporte irregular de animais em ônibus.

Papel do médico veterinário e do cidadão comum
No combate ao tráfico de animais, cada indivíduo pode ter papel crucial. A médica veterinária, Ticiana Zwang, afirma que o médico veterinário tem o papel de orientar a população. Mesmo aqueles veterinários que não são especialistas, recebem em sua clínica, para atendimento, animais silvestres, ou se deparam com aquele proprietário que tem interesse em adquirir um e questiona o profissional sobre o tema. “Nesse momento, o médico veterinário tem o papel de informar sobre as exigências da lei e a importância de não comprar animais oriundos do tráfico. E, quando em atendimento de um animal silvestre não legalizado, ele deve alertar o proprietário das condições de ilegalidade. Muita gente desconhece a lei ou dá pouca importância”, ressalta.

O principal foco no combate ao tráfico deve ser na educação ambiental. “A população precisa ser orientada quanto aos prejuízos gerados pelo tráfico, tanto para o animal que é traficado, quanto para o ambiente e para o próprio consumidor. Eliminando-se a procura, o traficante não terá mais para quem ofertar seus ‘produtos’”, afirma a médica veterinária.
Por isso, os cidadãos comuns devem, antes de tudo, não comprar animais oriundos do tráfico e denunciar às autoridades a ocorrência de feiras livres onde estão sendo comercializados animais, criadouros e lojas suspeitos, assim como a posse ilegal de animais silvestres por vizinhos e conhecidos, pelo 191 da Polícia Militar ou pela Linha Verde do IBAMA, o 0800-618080.

Campanha Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Selvagens
Pensando em ajudar a reverter todas essas estatísticas, os Conselhos Federal e Regionais de Medicina Veterinária (Sistema CRMV/CRMVs) mobilizam a população, pelo segundo ano consecutivo, com a Campanha Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Selvagens. Lançada no ano passado, a campanha promove, durante todo o mês de setembro, mobilização pelas redes sociais, além ações sociais durante o Segundo Dia de Conscientização, que, em São Paulo, acontecerá no dia 21 de setembro, na Fundação Parque Zoológico de São Paulo.

Para saber mais, acesse http://www.crmvsp.gov.br/site/noticia_ver.php?id_noticia=5137

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